terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Sincronizações...

Vivemos relações fugazes, somos fugazes no sentir, assim o nosso ritmo de vida o impõe. A ambicionada vida moderna, com todos os seus frenesins e panóplias de movimentações tornou-nos saltimbancos das nossas próprias emoções. Alcançamos pouco da arte de amar, tornamos insípidos termos como partilha, vontade, risco, acreditar, surpreender, alcançar. Intensidade e rapidez, é o que se pretende. Se ali se esgotou (ao final da segunda semana) o encanto, soletramos expressões como, "não dá, vamos apanhar o próximo comboio". E se ao invés de apanharmos o próximo comboio, nos limitássemos a ficar apenas por aqui e nos consciencializássemos do que realmente somos, e para onde temos real necessidade de partir. Porquê ir para Lisboa se gostamos mais do Porto? Arrisca-se pouco, percorre-se o caminho mais seguro, aquele que já trilhámos vazes sem conta, e que nos traz de volta a casa, sem sequelas nem mazelas nas mãos e nos joelhos. Os filhos da evolução já não vêem dotados de resiliência, de estratégias que lhes permitam correr o risco de se esfolar nos interstícios do amar.

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