Termo nascido da distância, da saudade e da vontade sedenta de encontrar alguém que está longe. Por entre risos, e frases inacabadas, acreditou-se no sonho adolescente de sair de casa para, numa qualquer rua da aventura, poder tocar instrumentos imaginários. Ainda assim, a harmónica e o cavaquinho aliaram-se para que os sons acontecessem, desta vez, numa estrada virtual.
Harmónica, é então, sinónimo de gaita de beiços, ou, num patamar menos fronteiriço, harmonia = sucessão de sons agradáveis ao ouvido. A arte que ensina a dispor os acordes. Por seu turno, ao instrumento musical de quatro cordas, dedilha-se a noção de cavaquinho, que no seu diminutivo encontra o termo cavaco = lasca de madeira; lenha miúda, ou no sentido figurativo, conversação amigável.
Pretensiosamente, e ao som das palavras, tomamos como possibilidade uma sucessão de conversas a duas vozes, ou a quatro mãos, como instrumento revolucionário, não daqueles a que elas assistem, mas do espaço interno de cada uma de nós. Os sons, em muitas ocasiões não tenderão à harmonia, mas certamente, à capacidade de dispor os acordes nos caminhos que cada um de nós traça.
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