Apeadeiros
Agradam-me os aeroportos. Partir, chegar. Abraçamos comovidamente os que chegam, afastamos a saudade de alguém que um dia decidiu atravessar a porta de embarque. Choramos por aquele que vai, antevemos a sua falta, sentimo-la como remoinho que nos consome o pensar. Egoistamente, não suportamos ausências.
É difícil arrumar tudo o que acumulámos durante anos, em apenas uma mala, há sempre algo que se esquece, ou que se deixa propositadamente; não é fácil partir. Pesam-se as contrariedades, somam-se os medos, acresce a vontade de desistir. Não é fácil partir, quando desconhecemos os verdadeiros motivos da ida, quando ainda não temos tempo suficiente para afirmar que o passar do tempo nos disse.
Se considerarmos os aeroportos como um ponto de partida, (mesmo para aqueles que chegam), um (re)começo, perceberemos um dia a necessidade de ir.